"PELA EMANCIPAÇÃO HUMANA"

PELA EMANCIPAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA,

PELA LIBERTAÇÃO DO OPRIMIDO EM TODO O MUNDO,

PELO FIM DO RACISMO E DO MACHISMO,

POR UM HIP HOP COMBATENTE E NÃO SUBSERVIENTE,

A LUTA CONTINUA!!!

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sábado, 27 de março de 2010

O HIP HOP EM QUEDA LIVRE


Por Wellington Lopes Góes
Ativista do Núcleo Cultural Força Ativa
MC do grupo Fantasmas Vermelhos
Contato: fantasmasvermelhos@hotmail.com
www.myspace.com/fantasmasvermelhos



O HIP HOP EM QUEDA LIVRE

“O Hip Hop amadureceu tanto que apodreceu” (Dead Prez)

“Certa vez, um nobre homem, imaginou que os seres humanos se afogavam na água apenas por que estavam possuídos pela idéia de gravidade. Se afastassem essa representação da cabeça, por exemplo, esclarecendo-a como uma representação supersticiosa, religiosa, eles estariam livres de todo e qualquer perigo de afogamento. Durante toda a sua vida combateu a ilusão da gravidade, cujas danosas conseqüências todas as estatísticas lhe forneciam novas e numerosas provas Aquele nobre homem era do tipo dos novos filósofos revolucionários alemães.” Karl Marx


Muitos fazem uma leitura rasa sobre o Hip Hop, alguns de forma proposital, outros por falta de informação e certo grupo por opção política de direita, mesmo quando revestido por roupagem de esquerda.

Qual a questão?
Primeiramente ao descreverem como o Hip Hop chega ao Brasil não relacionam com o contexto histórico a nível nacional e internacional.
Para ser mais preciso: falam do Hip Hop isolado de outras questões como simplesmente uma questão cultural em si.

Quais as implicações?
Não entendem a trajetória do Hip Hop caindo assim em constatações imediatistas, errôneas, equivocadas, vazias quando não vulgares.
Há possíveis análises sobre o Hip Hop, até mesmo porque o discurso eclético emanado do pós – modernismo, herdeiros de maio de 68, além de pregar o irracionalismo, também enfatizam a impossibilidade de se chegar a verdade, a compreensão do fenômeno analisado, do real, do mundo, logo a reflexão é deslocada para a percepção individual, para o subjetivismo egoísta onde todos os olhares são possíveis, desde que não parta das distas “condições materiais de produção e reprodução da vida”.

Mas qual é a leitura que fazemos sobre o Hip Hop na nossa percepção enquanto classe oprimida?
A mesma leitura subjetivista que não ajuda entender nada.
Mencionando as mazelas que obstaculizam a compreensão de certo fenômeno social, (no caso o Hip Hop), se quisermos fazer uma leitura na contra corrente, devemos salientar as seguintes problematizações: O Hip Hop chega ao Brasil na década de 1980 período da democratização, “transição feita pelo alto”, “transição transada”.
No primeiro momento como simples forma de entretenimento. Mas logo ganhou novo fôlego, principalmente pela sua proliferação nas periferias, tendo como principal sujeito a juventude preta, que até então estava na invisibilidade, já que o padrão de ser jovem estava associado à classe média dos movimentos estudantis que lutaram contra a ditadura, lembre – se que lutar contra a ditadura não significa uma luta pela revolução.
Essa juventude preta logo começou a questionar a violência policial e o racismo.
Um dos pontos forte que deu um caráter de movimento e organicidade ao hip hop foi a formação das posses.
Essas posses estendiam sua atuação para além dos quatro elementos, podemos definir posse como a união de mc´s, b. boys, DJs e grafiteiros que se agrupavam em coletivos para divulgar o hip hop e realizar atividades comunitárias, intervenções nos bairros periféricos de reflexão por meio de palestras, debates, oficinas, seminários e outras formas de trabalho em espaços como escolas, associações e etc.
As posses possibilitaram novas formas de fazer trabalho politizado sem cair nos vícios do fazer política da época, novo por vim da juventude preta oprimida, que buscavam se organizarem fora das formas clássicas de organização do proletariado como os partidos políticos e sindicatos.
As posses logo se proliferaram nas periferias até a metade da década de 1990.
Entre o final da década de 80 e final da de 1990 foi marcado pela grande ascensão do hip hop ganhando expressão e se massificando, talvez podemos aqui citar como marco o CD dos Racionais mc´s “Sobrevivendo no inferno” que alcançou grande número de vendas, mas como nem tudo são flores e “para não dizer que não falei das rosas” não posso deixar de citar que o jovem movimento caiu nas graças da industria cultural de massas, do politicismo dos partidos políticos sobre tudo de esquerda e no canto da sereia do chamado “terceiro setor” e por fim do Capital, onde este tem o poder de transformar quase tudo ou tudo em mercadoria, logo o hip hop deve gerar lucro.
Assim de ativistas muitos passaram a ser artistas, profissionais, músicos e outros adjetivos diversos, só que se esqueceu de avisá-los que aqui não é América do Norte, ou especificamente a terra do Tio San, mesmo os que foram cooptados pelo Capital estão até hoje procurando o lucro, uns até mesmo de forma mais desesperada se expondo ao ridículo na televisão em diversos programas que historicamente vêem os pretos de forma estereotipada.
Um dos grandes méritos do Capital já analisado muito bem por Marx é a capacidade que este tem de transformar “tudo” em mercadoria, nunca é demais frisar.
Se pegarmos a história do Brasil veja que toda a expressão da cultura de matriz africana é marcada por conteúdo político de resistência, foi por meio dessas expressões que foram organizadas várias revoltas contestatórias.

Qual foi a resposta do Estado?
Primeiramente reprimiu essas manifestações de forma violenta sempre que teve a oportunidade, tentou esvaziar todo o conteúdo de resistência, e só depois o permitiu quando padronizadas, “enlatadas” e comercializadas sob o nome de elemento da cultura nacional e não mais de matriz africana.
Foi assim com a capoeira, com as danças africanas, com as religiões, com o samba e agora com o hip hop, todos podem fazer hip hop, inclusive brancos da classe média, só falta a polícia.
Isso chama-se projeto de embranquecimento, cujo o hip hop embarcou nesta esteira no começo da primeira década do século XXI.
Se para a classe trabalhadora as décadas de 1980 – 90 e a primeira década deste novo século foram perdidas, pra nós juventude preta oriundos da classe trabalhadora foram mais ainda, a derrota é esmagadora, pois não conseguimos nos organizarmos nas formas clássicas e quando construímos algo novo, damos de bandeja para o capital como o ocorrido com o movimento hip hop, hoje fora de combate no Brasil, ainda mais se tratando de um movimento que em curto espaço de tempo conseguiu alcançar os lugares mais distantes deste país onde nem mesmo a (pseudo)esquerda conseguiu chegar.
Resultado da derrota histórica vista por alguns como vitória: grande parte das posses viraram ONGs, outras foram cooptadas por ONGs que dizem manter o “protagonismo juvenil” (acrescente tutelado) inclusive reservando apenas um espaço de uma semana pra realização de semana de cultura hip hop capenga, rodeadas de patrocínios empresariais que não discute nada sério, mesmas lamentações e discurso de permanecia da sociedade vigente, veja bem, uma semana durante um ano esse é o espaço do hip hop?
Outras posses como que por osmose foram sugados por alguns partidos políticos, fazendo o jogo politicista da corrida por votos contra nós mesmo. Um mc já disse um dia “trabalhando contra nós mesmo sempre sairemos derrotados”(GOG).
Essas instituições (ONGs, Partidos, Estado, Capital), conseguiram tirar o potencial de resistência do hip hop o esvaziando inclusive com o aval de quem é adepto do hip hop.
Qualquer movimento social é por essência reformista já que surge de demandas imediatas, quando conquistada essa demanda eis a sua morte, tende a desaparecer, quando este movimento pode se manter?
Quando passa da luta imediata, da “consciência comunitária” pra consciência de classe.
Mas a questão é que os movimentos caíram no discurso do “chamado terceiro setor”, inclusive o hip hop chegando neste momento viciado, onde tudo é projeto social, edital público pra se fazer algo, mais uma vez o Estado burguês não brinca em serviço, incorporando todos na instituição desde que seja pela manutenção desta ordem.

E a luta?
Tem rappers que questionam: Qual luta? Racismo? Ainda existe isso? Violência policial? Tem policial mc.
E assim novamente “a história se repete como farsa”.
Para concluir: pode um movimento emanado do lupen proletariado, desprovido das condições básicas de existência ser revolucionário?
Na nossa história recente parece que a resposta é não, contudo o hip hop no Brasil enquanto ferramenta de luta tinha todas as condições de fazer lutas mais significativas, o problema é que a luta acabou quando muitos quiseram ir pra TV, outros apenas gravar um medíocre CD e ainda tem a turma que acha que o hip hop é baladinhas, embora ainda existam pequenos focos de resistência espalhados pelo país que fazem trabalhos sérios, sons de protesto, mas que são sufocados pela idolatria da sociedade de consumo, de classes...
Por tanto o hip hop continua em queda livre...

25/03/2010

domingo, 2 de agosto de 2009

ESSA É PRA VOCÊ

Sem perca de tempo eu vou logo é dizer
Sou preto comunista, muito pesado pra você.
Não sou direita e nem esquerda, sou ausência de poder.
Comuna vermelha, força ativa pode crer!!
Com muita revolta é nóis que apavora,
Meu rap é de protesto e eu apresento a proposta.
Sai da frente bom escravo, meu bonde vai passar, blindado vermelho pronto para metralhar.
Pensamento articulado, soldado proletário,
A rua me inspira e a rebeldia do trabalho.
A célula vermelha em cada canto da cidade,
É a expressão máxima da luta de classes.
Invadindo a mansão, explodindo a burguesia,
Tipo V de vingança, ouça esta sinfonia.
Seu fascista, racista, agora vai pagar,
Conte até três e ajoelha pra rezar.
Não vai ter negociação, isso aqui não é seqüestro,
Só vai pro nosso povo o que foi roubado há séculos.
Eu sou a destruição que aboliu a escravidão,
A greve proletária que parou a produção.
O próprio coveiro que a burguesia criou,
O outubro vermelho que o mundo se espantou,
Bolchevique armado sedento por sangue,
Meu manifesto é comunista sou mais um nesta guerrilha.
Tipo Black panthers questionando o racismo,
Se organizando, se informando contra o capitalismo.
Tipo o moleque armado na palestina,
Ou o homem bomba que luta contra a tirania.
Ou o rebelado enfrentando o choque,
Na manifestação organizada pelos pobres.
Tipo Malcom X, estilo Zapatista, América vermelha,
A chama comunista, abaixo o imperialismo, aqui eu sou sandino,
A foice e o martelo, o fuzil estão comigo.
Posso ser os malês, posso estar na África,
Eu sou a rebeldia do oprimido que não para.
O movimento guerrilheiro que descolonizou a África.
O rebelde armado que não aceita a opressão,
O mano exilado, encarcerado na prisão.
A criança sem casa pedindo no farol,
Fazendo malabar o dia inteiro no sol.
Sou sem terra, sou sem teto, sou sem educação,
Preto, explorado, não tenho religião,
Um excluído da história que não teve opção.
Sou marginalizado, preto, pobre, favelado,
Comunista, odiado, anulado, copiado, proletário,
Excluído sem trabalho, potencial revolucionário.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A via colonial e a entificação do racismo

Sobre Raça e Classe
A via colonial e a entificação do racismo

Wellington Lopes Góes[1]



"O estado é um produto do antagonismo inconciliável das classes"

(LENIN, 2007)



A formação social do Brasil não se dá de forma pacífica, harmônica ou com ausência de conflitos. Muito pelo contrário, os mais de três séculos de escravidão e colonização não é outra coisa senão: uma necessidade do capital que se configurava a partir dos domínios de outros territórios e da revolução industrial.

A escravidão moderna no continente africano e em toda a América esteve diretamente ligada com as necessidades de acumulação de capital. Só a partir desta leitura, podemos entender como o Brasil é parte deste processo global de extração e exploração, denominado por Marx (1994) de "acumulação primitiva do capital". Parafraseando o autor, podemos afirmar que a extração de ouro e prata na América, acompanhada pelo extermínio e escravização das populações nativas − obrigadas a trabalhar nas minas −, o principio de conquista e pilhagem das Índias Orientais e a tomada da África como grande campo de caçada de seres humanos, cujos objetivos foram o lucro, são eventos que marcam os albores da era da produção capitalista.

Ao mesmo tempo em que fez parte deste processo global, o Brasil de forma particular após servir de local para exploração, escravidão, também vai se organizando internamente para o capitalismo, temos que entender como foi estes dois movimentos que se unem em determinado momento. Desta forma, a via de constituição do capitalismo no Brasil é a colonial; o país sempre foi dominado pela metrópole e, ao ser o último país a acabar com a escravidão, instala o capitalismo de forma dependente.

Chasin (2000) afirma que:

“... no Brasil (...), a grande propriedade rural é presença decisiva; de igual modo, o reformismo pelo "alto" caracterizou os processos de modernização, impondo-se, desde logo, uma solução conciliadora no plano político imediato, que exclui rupturas superadoras, nas quais as classes subordinadas influíram, fazendo valer seu peso específico, o que abriria a possibilidade de alterações mais harmônicas entre as distintas partes do social (...) o desenvolvimento das forças produtivas é mais lento, e a implantação e a progressão da indústria, isto é, do "verdadeiro capitalismo", o modo de produção especificamente capitalista, é retardatária, tardia, sofrendo obstacurizações e refreamentos decorrentes da resistência de forças contrárias e adversas. Em síntese, (...) verifica-se, para usar novamente uma fórmula muito feliz, nesta sumaríssima indicação do problema, que o novo paga alto tributo ao velho (CHASIN, 2000, p.44).



Ainda, dentro da particularidade, diz o autor sobre o “integralismo” proposto por Plínio Salgado:

“... enquanto a industrialização alemã é das últimas décadas do século XIX, e atinge, no processo, a partir de certo momento, grande velocidade e expressão, a ponto de a Alemanha alcançar a configuração imperialista, no Brasil a industrialização principia a se realizar efetivamente muito mais tarde, já num momento avançado da época das guerras imperialistas, e sem nunca, com isto, romper sua condição de país subordinado aos pólos hegemônicos da economia internacional. De sorte que o “verdadeiro capitalismo” alemão é tardio, enquanto o brasileiro é híper-tardio” (CHASIN, 2000, p.45).



Com esta problematização, partindo da colonização e da constituição do modo de produção capitalista no Brasil, podemos explicar os ataques, as leis de repressão, extermínio e de controle social da população negra, como uma necessidade das elites brasileiras.

O entendimento deste momento histórico é a chave no qual ajuda a perceber toda a situação de opressão que vive a população preta, especificamente no pós-abolição aos dias de hoje.

Posto estas linhas gerais, é possível verificar como se deu a entificação do racismo, como uma ideologia que justifica a dominação, a super-exploração e a violência do estado direcionado a população negra, mas não entendemos o racismo como uma idéia ou simplesmente ideologia: ele surge das relações de dominação praticadas pelo Estado e as suas leis, portanto, das relações de poder.

Antes de abolir a escravidão, as elites brasileiras já esboçavam um projeto posterior, a burguesia não era unitária quanto ao teor do projeto; ela própria lutará entre si, mas há um ponto comum: os pretos à margem do sistema produtivo de diferentes formas.

Dentro desta perspectiva, a política pensada pelas elites tinha uma preocupação: o que fazer com esta imensa população afro, que agora é "liberta"? Para responder a esta preocupação, o Brasil rpojetou três tipos de políticas: de branqueamento, de controle social e de extermínio.

A política de controle social passava por uma instância jurídica que focava leis de restrições de liberdade a esta população, leis que restringiam a circulação dos pretos na rua, proibição de manifestações culturais de matriz africana como a capoeira, cultos religiosos; enfim, marginalização do que não fosse cópia européia. Não foi por acaso que veio a Lei da Vadiagem.

A política de extermínio era sistemática, era comum ver a repressão do aparato militar sobre esta população. O extermínio não se resumia apenas em situação de violência física, soma-se a ela o grande número de mortalidade infantil, morte por falta de comida e por doenças devido ao modo de vida em que esta população estava imersa.

Já a política de branqueamento visava à entrada de europeus no Brasil, primeiro usados como mão-de-obra e, depois, com o objetivo de miscigenar com os africanos para que a população fosse embranquecendo de forma gradual, até não existir mais pretos. Esta idéia foi bastante presente.

A tabela abaixo, citada por Moura, nos mostra o quanto esse projeto de nação foi eficiente para as elites desde 1850 até o começo do século 1900: Entrada de imigrantes Europeus no Brasil (1851 - 1900 )

1851 - 1860 ( proibição do tráfico) 127 747

1861 - 1870 ( Lei do ventre livre) 97 571

1871 - 1880 (movimento abolicionista) 219 128

1881 - 1890 (abolição total) 525 086

1891 - 1900 (apogeu da imigração européia) 1 129 315

1891 - 1900 (apogeu da imigração européia) 1 129 315





"Podemos reparar pelos dados acima, que á uma relação entre o processo de decomposição do sistema escravista e o ritmo de entrada de imigrantes europeus (...). À medida que segmentos escravos, por várias razões, eram afastados do sistema de produção, entrava, em contrapartida, uma população branca livre para substituí-los.

Não por acaso, logo em seguida, foi criada a Lei da Vadiagem para agir como elemento de repressão e controle social contra essa grande franja marginalizada de negros e não-brancos em geral" (MOURA, 1988, p 85).

Todas estas políticas foram deliberadas e executadas pelo estado e amparadas por uma justificativa teórica pseudocientífica, como em Nina Rodrigues (1993), além de ser financiada pelo Estado elitista,

República Velha, Nova, Estado Novo, Ditadura de Vargas, Ditadura Militar de 64 e democracia... Não importa a época, os pretos foram sempre esmagados pelo Estado e seu poder repressivo, pois o racismo institucionalizado funciona muito bem quando sustentado pelos instrumentos da classe dominante, culminando em uma ideologia que estabelece padrões onde o que é bom, bonito e belo é associado ao mais próximo do branco; logo, tudo de ruim, feio e perigoso é associado aos não-brancos.

A burguesia no Brasil sempre agiu de forma autocrática, autoritária, temendo a organização popular, e antecipando-se a estes movimentos utilizando de muita repressão, desde a República Velha até ao nosso período chamado democrático.

Se buscarmos na História, foram poucos os períodos de liberdade no Brasil. A vigilância e a criminalização dos movimentos sociais sempre se fez presente e várias organizações que lutavam contra o racismo foram perseguidas. Esta ação da burguesia autocrática, em parceria com o Estado, foi utilizada com o objetivo de manter a dominação de classes, fazendo com que a classe trabalhadora ficasse no imobilismo não-questionando esta relação de opressão com a radicalidade necessária.

Todavia, a burguesia autocrática sempre tratou os pretos como potencialmente perigosos, uma vez que a presença destes esteve ligada aos movimentos de resistência, seja no Império, como nas ases seguintes da História do Brasil. Lutavam por condições melhores de vida e pelos direitos básicos que garantissem minimamente a satisfação das necessidades.

A burguesia autocrática é incapaz de fazer qualquer tipo de concessão, mesmo no âmbito das políticas sociais, basta verificarmos a discussão sobre as ações afirmativas e observar o discurso da burguesia contra essas ações.

Tendo como foco sempre a repressão, a burguesia autocrática no comando do Estado pratica o genocídio contra os pretos; estes morrem violentamente pela ação da polícia − um dos braços armados do Estado. Morrem por falta de comida, por falta de atendimento nos serviços de saúde, morrem por doenças que poderiam ser evitadas, etc.

A premissa de que todos são iguais é falsa quando olhamos para a realidade e vemos que o mundo em que vivemos é o mundo onde o capital impõe as suas regras e o Estado vira apenas o executor desta política para a burguesia. Tudo isso mostra como o racismo "cordial" age no Brasil; o racismo continua sendo uma ideologia dominante nessa sociedade, que inferioriza o negro por ação do Estado − primeiro violador dos direitos humanos −, com suas políticas sociais voltadas para o privilégio da burguesia.

Existem setores populares dos movimentos que acreditam que esta democracia dos ricos pode ser aperfeiçoada, podendo eliminar o racismo; assim como há outros setores que perceberam que esta democracia é importante, porém insuficiente de resolver nossos problemas.

Portanto, vemos que a luta anti-racista é fundamental, pois temos que pautar, enquanto movimento social, a necessidade de ruptura com este modelo de sociedade, construindo um projeto que dê conta das demandas do oprimido historicamente. A isto cabe a tarefa de transformar radicalmente esta sociedade, se não seremos meros oprimidos, controlados pelo capital e sem ação, sem crítica, sem a capacidade de dar um basta a esta realidade.



Referência Bibliográfica

CHASIN, J. O Integralismo de Plínio Salgado: forma de regressividade no capitalismo hiper-tardio. São Paulo: Ciências Humanas, 1978.

LENIN. V. I. O Estado e a revolução. São Paulo: Expressão Popular, 2007.

MARX, K. O capital, vol.1. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1994.

MOURA, C. Sociologia do negro brasileiro. São Paulo: Ática, 1988.

MORAIS, O. A.. Imigration in to Brazil: a statical statement and related espects. In: BATES, M. The migration of people to Latin American. The Catholic University of America Press, 1957.

Vozes das ruas!!!

Vozes das ruas!!!

É essa é pra você,

Que acorda cedo e pega lotação, metrô, busão,

Que sobe o escadão na quebrada,

Não por opção.

Que cola com os irmãos,

Na rua na missão.


Então, então se liga na estatística,

Jovens pretos na facul, número menor

Do que aqueles que carregam a bíblia,

Ou aqueles parado pela polícia,

Levados para o presídio faz fila.

No cemitério mais um caixão,

Mais uma vida, engolida pelo mundão.


Essa é pra você que mora nas favelas,

Resistindo, sobrevivendo e que transita pelas vielas.

Na periferia todos os dias, na correria.

Essa é pra você que mora nas ruas,

Que cata lixo, vende latinha, puxa carroça,

Pra ter um prato de comida.


Essa é pra você, que por falta de opção se prostitui,

Estigmatizada, idolatrada, abusada por corpos em crise sexual,

Fabricados e reforçados pela falsa moral.


Essa é pra você que está privado de liberdade,

Encarcerado, algemado,

Propriedade do estado.

Essa é pra você, que anda na lama,

Pisa no barro, joga bola no campo com os pés descalço.

Condenados a viver sem salário,

Improvisado, se pá um estudo fraco,

Fantasiado no mundo fetichizado pelo capital.

Com o sonho de consumo até passa mal,

De quebrada a quebrada prossegue a cena,

Vidas caladas, desperdiçadas,

Encarceradas e assassinadas vidas,

pelo sistema, racista e capitalista.


Essa é pra você, pra mim, pra nóis da periferia,

Das favelas, dos morros,

Os miseráveis, excluídos, perseguidos,

Rebeldes por várias vias.

Não nos entreguemos, continuemos a viver,

Resistindo de várias formas,

A esse mundo em decadência,

A essa humanidade desumana.

Essa é pra você...